Mostrando postagens com marcador Nutrição na Terceira Idade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nutrição na Terceira Idade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Doença de Alzheimer


Enquanto na linguagem popular a palavra demência tem a conotação de loucura, em medicina é usada com o significado de declínio adquirido, persistente, em múltiplos domínios das funções cognitivas e não cognitivas. O declínio das funções cognitivas é caracterizado pela dificuldade progressiva em reter memórias recentes, adquirir novos conhecimentos, fazer cálculos numéricos e julgamentos de valor, manter-se alerta, expressar-se na linguagem adequada, manter a motivação e outras capacidades superiores.
Perder funções não cognitivas significa apresentar distúrbios de comportamento que vão da apatia ao isolamento e à agressividade.
Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. A causa da doença é desconhecida. Assista abaixo um vídeo explicativo sobre a doença:



FATORES DE RISCO
Idade
Embora existam casos esporádicos em pessoas de 50 anos e a prevalência na faixa etária de 60 a 65 anos esteja abaixo de 1%, a partir dos 65 anos ela praticamente duplica a cada cinco anos. Depois dos 85 anos de idade, atinge 30 a 40% da população.
História familiar
O risco é mais alto em pessoas que têm história familiar de Alzheimer ou outras demências. Estudo conduzido na Suécia entre 65 pares de irmãos gêmeos mostrou que quando um deles apresentava Alzheimer, o irmão gêmeo idêntico era atingido pela doença em 67% dos casos; o gêmeo diferente, em 22%.
Síndrome de Down
Em portadores da síndrome de Down a doença surge com frequência mais alta e as alterações neuropatológicas se instalam mais precocemente.
Apolipoproteína E
Além de outras funções, o colesterol é necessário para a integridade da bainha de mielina que envolve as raízes nervosas. A apolipoproteína é uma proteína presente na circulação, importante no transporte de colesterol no sistema nervoso central. Indivíduos em que essa proteína possui determinadas características genéticas têm probabilidade mais alta de desenvolver Alzheimer.
Sexo
Parece haver pequeno predomínio da doença entre as mulheres. Para quem chegou aos 65 anos, o risco futuro de surgir Alzheimer é de 12% a 19% no sexo feminino; e de 6% a 10% nos homens.
Trauma craniano
Boxeadores e pessoas que sofreram traumas cranianos parecem mais sujeitos à enfermidade, embora nem todos os estudos comprovem essa relação.

FATORES PROTETORES
Escolaridade
A aquisição de conhecimentos cria novas conexões entre os neurônios (sinapses) e aumenta a reserva intelectual, fatores que retardam o aparecimento das manifestações de demência. O analfabetismo e a baixa escolaridade estão associados à maior prevalência.
Atividade física
Vários estudos sugerem que a atividade física tenha efeito protetor.

QUADRO ANÁTOMO-PATOLÓGICO

Os doentes apresentam cérebros atrofiados de forma difusa, mas não uniforme; as áreas mais atrofiadas são principalmente as que coordenam atividades intelectuais.
Ao microscópio notam-se perda de neurônios e degeneração das sinapses. Duas alterações patológicas dominam o quadro: as placas senis e os emaranhados neurofibrilares.
Placas senis são formadas pelo depósito de uma proteína (beta-amilóide), no espaço existente entre os neurônios. Já, os emanharados neurofibrilares são formados por uma proteína (tau) que se deposita no interior dos neurônios.
As alterações cerebrais precedem as manifestações clínicas por 20 a 40 anos.

QUADRO CLÍNICO
A doença se instala de forma insidiosa, com queixas de dificuldade de memorização e desinteresse pelos acontecimentos diários, sintomas geralmente menosprezados pelo paciente e familiares.

Inicialmente é comprometida a memória de trabalho, memória de curta duração que nos permite exercer a rotina diária. Os pacientes esquecem onde deixaram as chaves do carro, a carteira, o talão de cheques, o nome de um conhecido. Com o tempo, a pessoa larga as tarefas pela metade, esquece o que foi fazer no quarto, deixa o fogão aceso, abre o chuveiro e sai do banheiro, perde-se no caminho de volta para casa.
Caracteristicamente, esses “esquecimentos” se agravam quando o paciente é obrigado a executar mais de uma tarefa ao mesmo tempo. A perda de memória é progressiva e obedece a um gradiente temporal, segundo o qual a incapacidade para lembrar fatos recentes, contrasta com a facilidade para recordar o passado.
As primeiras habilidades perdidas são as mais complexas: manejo das finanças, planejamento de viagens, preparo de refeições. A capacidade de executar atividades mais básicas como vestir-se, cuidar da higiene ou alimentar-se, é perdida mais tardiamente.
Com o tempo a dificuldade de aprendizado se acentua. Quando colocamos o paciente diante de uma lista de palavras e pedimos que as evoque ao terminar de memorizá-las, o desempenho é medíocre.

A linguagem, comprometida discretamente no início do quadro, torna-se vazia, desprovida de significado, embora a fluência possa ser mantida. A orientação espaço-visual se deteriora, criando dificuldade de orientação e de reconhecimento de lugares anteriormente bem conhecidos.
O quadro degenerativo se estende às funções motoras. Andar, subir escadas, vestir-se, executar um gesto sob comando, tornam-se atividades de execução cada vez mais problemática.
A percepção das próprias deficiências, preservada no início, fica gradualmente comprometida. Na fase avançada, mutismo, desorientação espacial, incapacidade de reconhecer faces, de controlar esfíncteres, de realizar as tarefas de rotina, pela alteração do ciclo sono/vigília e pela dependência total de terceiros são sintomas característicos da doença.

ESTÁGIOS

De acordo com a intensidade do quadro degenerativo há três estágios clínicos: leve, moderado ou grave.
Existe grande variabilidade na duração desses estágios. Em alguns casos os sintomas evoluem lentamente possibilitando a manutenção de níveis funcionais razoáveis por muitos anos; em outros, a deterioração é mais rápida, mas ocorre em velocidade constante; em outros, ainda, a doença evolui em surtos de piora seguidos de fases de estabilidade que chegam a durar um ano ou mais.
Os estudos mostram que a duração de cada estágio também é extremamente variável. Em média, o primeiro estágio tem duração de 2 a 10 anos; o segundo, de 1 a 3 anos; e o terceiro, de 8 a 12 anos.
Esses estágios podem ser subdivididos em sete outros, com as seguintes características:
1 – Pré-clínico: silencioso; sem perda cognitiva observável;
2 – Transtorno cognitivo leve: primeiras evidências de perda cognitiva;
3 – Forma leve: esquecimentos; familiares e amigos notam o problema;
4 – Forma moderada: confusão mental; agitação; ansiedade; apatia;
5 – Forma moderadamente grave: não consegue lidar com afazeres pessoais; desorientação no tempo e espaço; dependência;
6 – Forma grave: necessita de cuidados em tempo integral; incontinência urinária e fecal; delírios; obsessões; freqüentemente requer internação;
7 – Forma muito grave: perda da fala; incapacidade de locomoção; perda da consciência.

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
O processo degenerativo na doença de Alzheimer leva à deficiência de diversos neurotransmissores, moléculas que atuam na condução dos estímulos nervosos transmitidos de um neurônio para outro.
Hoje, procuramos corrigir esse déficit com dois grupos de drogas: os inibidores das colinesterases e os antagonistas dos receptores de glutamato.
A acetilcolina é um neurotransmissor importante nos mecanismos de memória e aprendizagem. Na doença de Alzheimer, como conseqüência da degeneração dos neurônios, ocorre redução da atividade da acetilcolina por ação de enzimas que a degradam. Essa perda de atividade está associada ao declínio cognitivo.
Embora várias drogas estejam sendo testadas, atualmente, o tratamento mais eficaz se baseia na utilização das que inibem a ação enzimática responsável pela degradação da acetilcolina (inibidores da acetilcolinesterase).
Esses medicamentos têm eficácia documentada, e estão indicados no tratamento das formas leve ou moderada, com a finalidade de ajudar os pacientes a manter a habilidade de executar as atividades de rotina por mais tempo e de preservar a capacidade de relacionar-se com os familiares e amigos.

RESPOSTA AO TRATAMENTO
A doença é incurável. O objetivo da terapêutica é retardar a evolução e preservar por mais tempo possível as funções intelectuais. Os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é iniciado nas fases mais precoces.
Numa doença que progride inexoravelmente, nem sempre é fácil avaliar resultados. Por essa razão, é fundamental que os familiares utilizem um diário para anotar a evolução dos sintomas.
A memória está melhor? Os afazeres diários são cumpridos com mais facilidade? O quadro está estável? O declínio ocorre de forma mais lenta do que antes da medicação? Sem essas anotações fica impossível avaliar a eficácia do tratamento.

PRINCÍPIOS GERAIS
Efeitos colaterais
As drogas pertencentes ao grupo dos anticolinesterásicos podem provocar sintomas gastrointestinais, circulatórios e alterações relacionadas com o sistema nervoso central. Na maioria das vezes, esses efeitos indesejáveis são passageiros, de curta duração e podem ser controlados ou desaparecer quando o médico reajusta as doses. Em caso de toxicidade, entre em contato com seu médico. Não suspenda o tratamento por conta própria.
Duração do tratamento
Uma vez iniciado, o tratamento precisa ser reavaliado pelo médico ao completar um mês, mas deve ser mantido obrigatoriamente por um período mínimo de 3 a 6 meses, para que se possa ter idéia da eficácia. Enquanto a resposta for favorável, o medicamento não deve ser suspenso.
Adesão
É fundamental a tomada diária nas doses e observar os intervalos prescritos. A administração irregular compromete o resultado final.

A população de mulheres e homens com mais de 65 anos é a que mais cresce no Brasil e em outros países. Com o aumento da longevidade, é cada vez mais comum o aparecimento de quadros neuropsiquiátricos caracterizados pelas seguintes manifestações:
* Falta de memória para acontecimentos recentes;
* Repetição da mesma pergunta várias vezes;
* Dificuldade para acompanhar conversações ou pensamentos complexos;
* Incapacidade de elaborar estratégias para resolver problemas;
* Dificuldade para dirigir automóvel e encontrar caminhos conhecidos;
* Dificuldade para encontrar palavras que exprimam idéias ou sentimentos pessoais;
* Irritabilidade, suspeição injustificada, agressividade, passividade, interpretações erradas de estímulos visuais ou auditivos, tendência ao isolamento.
Pessoas que apresentem manifestações como essas devem ser acompanhadas de perto, porque uma parcela significativa delas evolui para quadros de demência. Calcula-se que de 10% a 15% das que atingem 65 anos já apresentem sinais da enfermidade. Daí em diante, a prevalência cresce 3% ao ano, até atingir quase 50% das que chegam aos 85 anos.
Entre os quadros de demência, o mais comum é a doença de Alzheimer, descrita em 1907 pelo neurologista alemão Alois Alzheimer. Estima-se que, no mundo, haverá 22 milhões portadores desse mal em 2025.
A doença de Alzheimer instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o arrazoamento, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
Estudos publicados na década de 1980 mostraram que a proteína que se acumula dentro dos neurônios (tau) dos doentes com Alzheimer, é diferente da que se acumula nos espaços existentes entre eles (beta-amilóide). A proteína beta-amilóide se deposita em placas que causam destruição de neurônios por criar processo inflamatório crônico nas regiões afetadas, interferir com a regulação de cálcio, essencial para a condução dos estímulos nervosos, e aumentar a produção de radicais livres, tóxicos para as células nervosas.
Certas famílias apresentam prevalência mais alta da doença de Alzheimer, mas podem surgir casos esporádicos da doença em famílias que nunca os apresentaram. Cerca de 10% a 60% dos pacientes com histórico familiar da doença apresentam instalação precoce e evolução rápida dos sintomas. Neles, foram descritas mutações de genes presentes nos cromossomos 1 e 14. Nas formas de Alzheimer que se instalam mais tardiamente, parece estarem envolvidos outros genes, ligados à apolipoproteína E, envolvida no transporte de colesterol e na reparação de defeitos celulares.

A doença de Alzheimer costuma evoluir de forma lenta e inexorável. A partir do diagnóstico, a sobrevida média oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios:
Estágio 1 (forma inicial): Alterações na memória, personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;
Estágio 2 (forma moderada): Dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia;
Estágio 3 (forma grave): Resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva;
Estágio 4 (terminal): Restrição ao leito. Mutismo. Dor à deglutição. Infecções intercorrentes.
Os conhecimentos acumulados nos últimos dez anos de pesquisas na doença de Alzheimer permitem esperar para breve o aparecimento de tratamentos eficazes. Estão sendo desenvolvidos compostos que bloqueiam as enzimas responsáveis pelo mau processamento da proteína beta-amilóide.
Outras linhas de pesquisa procuram minimizar os efeitos tóxicos dessa proteína administrando drogas antioxidantes, antiinflamatórios e moléculas que dissolvam os acúmulos patológicos que ela produz. Dale Schenck e colaboradores, da Elan Pharmaceuticals de São Francisco (EUA), estão testando uma vacina contra as placas de proteína beta-amilóide.
Embora esses tratamentos ainda estejam em fase puramente experimental, começam a surgir as primeiras evidências de que a doença pode ser controlada. Chegar aos 90 anos com lucidez parece que não será tão difícil quanto se imaginava há dez anos.

Fonte: 

Disfagia


O QUE É A DISFAGIA
A disfagia é uma alteração na deglutição, ou seja, no ato de engolir alimentos ou até mesmo saliva. Pode ocorrer em diferentes fases da vida, especialmente em idosos, podendo trazer sérias consequências à saúde. 
Na disfagia, ocorre um desvio do alimento ou da saliva, obstruindo parcialmente ou completamente as ias respiratórias. Esse desvio pode ser facilitado também pelo envelhecimento natural das estruturas envolvidas na deglutição (lábios, língua, bochechas, etc.). 
Além do envelhecimento das estruturas, o acidente vascular encefálico (derrame), o traumatismo craniano, as doenças neurológicas (como Parkinson e Alzheimer), as distrofias musculares e o câncer de cabeça e pescoço podem causar a disfagia. 
Pode ainda surgir devido a próteses dentárias mal adaptadas, refluxo gastroesofágico grave e após longos períodos de entubação.
É necessário entendimento de que a disfagia, além de provocar problemas emocionais e o isolamento social, causa problemas sérios como desidratação, desnutrição e pneumonia, além do risco de morte por asfixia. 


FASES DA DEGLUTIÇÃO NORMAL
A deglutição é uma ação complexa que ocorre de maneira contínua e automática. Para melhor compreensão foi dividida em fases:


Fase Preparatória: seria a mastigação e a preparação e organização do bolo alimentar para que o mesmo seja transportado para a faringe e em seguida para o esôfago. (fase voluntária)
Fase Oral: é ainda voluntária, onde ocorre a elevação e impulsão do bolo alimentar em direção aos pilares amigdalianos anteriores e à faringe, iniciando o reflexo de deglutição.
Fase Faríngea: representada pelo reflexo faríngeo, esta é a fase mais complexa da deglutição, porém tem duração total de apenas um segundo.
Fase esofágica: esta fase é completamente involuntária, iniciando a passagem do alimento pelo esfíncter esofágico superior.  Existem duas ondas peristálticas (movimentação involuntária do esôfago que carrega o alimento), uma que vai da faringe para o esôfago e outra que vai do esôfago para o estomago.

CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE DISFAGIA
 A classificação é proposta conforme a gravidade do distúrbio de deglutição e direciona o fonoaudiólogo na tomada de condutas. Assim, deve-se seguir o raciocínio clínico proposto nas especificações dos itens do protocolo, de acordo com os sinais apresentados pelo paciente. Para a classificação da disfagia, é necessário que o paciente apresente pelo menos um sinal que o diferencie do nível anterior. 
Nível I. Deglutição normal: A alimentação via oral completa é recomendada.
Nível II. Deglutição funcional: Pode estar anormal ou alterada, mas não resulta em aspiração ou redução da eficiência da deglutição, sendo possível manter adequada nutrição e hidratação por via oral. Assim, são esperadas compensações espontâneas de dificuldades leves, em pelo menos uma consistência, com ausência de sinais de risco de aspiração. A alimentação via oral completa é recomendada, mas pode ser necessário despender tempo adicional para esta tarefa.
Nível III. Disfagia orofaríngea leve: Distúrbio de deglutição presente, com necessidade de orientações específicas dadas pelo fonoaudiólogo durante a deglutição. Necessidade de pequenas modificações na dieta; tosse e/ou pigarro espontâneos e eficazes; leves alterações orais com compensações adequadas.
Nível IV. Disfagia orofaríngea leve a moderada: Existência de risco de aspiração, porém reduzido com o uso de manobras e técnicas terapêuticas. Necessidade de supervisão esporádica para realização de precauções terapêuticas; sinais de aspiração e restrição de uma consistência; tosse reflexa fraca e voluntária forte. O tempo para a alimentação é significativamente aumentado e a suplementação nutricional é indicada.
Nível V. Disfagia orofaríngea moderada: Existência de risco significativo de aspiração. Alimentação oral suplementada por via alternativa, sinais de aspiração para duas consistências. O paciente pode se alimentar de algumas consistências, utilizando técnicas específicas para minimizar o potencial de aspiração e/ou facilitar a deglutição, com necessidade de supervisão. Tosse reflexa fraca ou ausente.
Nível VI. Disfagia orofaríngea moderada a grave: Tolerância de apenas uma consistência, com máxima assistência para utilização de estratégias, sinais de aspiração com necessidade de múltiplas solicitações de clareamento, aspiração de duas ou mais consistências, ausência de tosse reflexa, tosse voluntária fraca e ineficaz. Se o estado pulmonar do paciente estiver comprometido, é necessário suspender a alimentação por via oral.
Nível VII. Disfagia orofaríngea grave: Impossibilidade de alimentação via oral. Engasgo com dificuldade de recuperação; presença de cianose ou broncoespasmos; aspiração silente para duas ou mais consistências; tosse voluntária ineficaz; inabilidade de iniciar deglutição.

O QUE FAZER AO PERCEBER SINTOMAS DE DISFAGIA
As alterações da deglutição devem ser diagnosticadas e tratadas conjuntamente por médicos, enfermeiros, nutricionistas e, fundamentalmente, fonoaudiólogos, que são os profissionais aptos ao trabalho específico da função.

ORIENTAÇÕES
Durante a alimentação:
  • Mantenha a postura ereta e confortável, nunca se alimente deitado;
  • Realize as refeições sem pressa;
  • Mantenha a prótese dentária bem adaptada;
  • Caso necessário, consuma alimentos mais pastosos e tome líquidos mais grossos (se necessário utilize espessantes), pois o engasgo com alimento líquido é o mais frequente. 

TRATAMENTO
O tratamento baseia-se nas intervenções na causa base da disfagia que, frequentemente, é representada pelo tratamento das doenças associadas.
As condutas devem ser dadas de acordo com a classificação da disfagia e incluem a indicação de: 
(a) via alternativa de alimentação, como as sondas enterais e gástricas; 
(b) terapia fonoaudiológica, podendo ser direta (com alimento) e/ou indireta (sem alimento) e; (c) alimentação via oral assistida pelo fonoaudiólogo, de acordo com a seleção das consistências. 
As propostas de conduta baseadas na classificação da disfagia estão a seguir:
  • Para os níveis I e II, a conduta será (c);
  • Para os níveis III, IV e V, a conduta será (a) + (b) + (c) e
  • Para os níveis VI e VII, a conduta será (a) + (b).

Referências:

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.12 no.3 São Paulo July/Sept. 2007
Dysphagia Risk Evaluation Protocol Aline Rodrigues PadovaniI; Danielle Pedroni MoraesI; Laura Davidson MangiliII; Claudia Regina Furquim de AndradeIII



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Alimentação na Terceira Idade



É importante ter em mente que os cuidados nutricionais na terceira idade não são apenas os cuidados terapêuticos. Nunca é tarde para considerar a nutrição como um fator de promoção de saúde e prevenção de doenças. Atualmente, os idosos buscam por informações sobre saúde e nutrição e estão dispostos a fazer modificações  visando manter a sua independência e qualidade de vida. O envelhecimento é um processo biológico natural. Entretanto, envolve algum declínio nas funções fisiológicas. Várias são os fatores relacionados à má alimentação que atingem os idosos como um reflexo de seu estilo de vida:

Dificuldades na mastigação
Deve-se considerar a utilização de próteses dentárias ou a falta dos dentes. Para se manter a função de mastigação, muitas vezes é necessário mudar a textura (consistência) dos alimentos.

Hábitos alimentares
Os hábitos alimentares foram adquiridos desde a infância e sustentados ao longo da vida, portanto, nem sempre é fácil modificá-los. A alimentação está condicionada aos hábitos familiares, religiosos e socioeconômicos, que devem ser respeitados para se conseguir êxito quando as mudanças são necessárias.

Situação socioeconômica
A renda familiar ou a do idoso é um fator que interfere diretamente na sua alimentação. Deve-se recomendar a aquisição de alimentos da época, principalmente frutas e hortaliças, pois são os que apresentam um custo menor, são mais nutritivos e saudáveis.

Constipação intestinal
A constipação pode ocorrer devido ao baixo consumo de alimentos ricos em fibras, gorduras saudáveis e água, pela falta de atividade física, atonia muscular e alterações hormonais. A constipação é uma queixa constante na população idosa, seja na situação ambulatorial, seja em pacientes acamados por longos períodos, em seu domicílio ou em instituições. Deve-se então fornecer abundante quantidade de líquidos e de alimentos ricos em fibras insolúveis. Insistir no consumo de frutas frescas e secas, hortaliças (verduras e legumes), cereais integrais e produtos derivados, e algumas fontes de gorduras saudáveis, como azeite de oliva e castanhas.

Diminuição da atividade dos órgãos dos sentido
Com o avanço da idade, ocorre diminuição das sensibilidades gustativa e olfativa que, consequentemente, levam à redução da sensibilidade ao cheiro e sabor dos alimentos, que estão associados à perda do apetite.
A alimentação deve ser atraente, preparada e temperada com ervas frescas e temperos que ativem essas sensações, mas sempre com certa restrição ao uso do sal e temperos industrializados para não ocasionar hipertensão arterial.

Processos digestivos mais lentos
A alimentação diária deve ser fracionada em várias refeições, sendo o ideal 6 refeições ao dia com volume reduzido, alimentos bem cozidos, com texturas brandas e de fácil digestão. Na terceira idade há diminuição na produção de enzimas digestivas e do ácido clorídrico, o que dificulta a digestão de alguns alimentos.
Evitar carnes gordas, frituras, embutidos, pimentão, pepino, couve-flor e cebola crua, que são alimentos que demoram mais a ser digeridos.

Dificuldade de mobilização
A incidência da osteoporose pode levar o idoso à situação de imobilização parcial ou total. Nesse caso, a alimentação e o incentivo à atividade física leve, como alongamento, ioga e caminhada, são fatores importantes que deverão ser estimulados e controlados.
Incentivar o consumo de alimentos ricos em cálcio e fósforo e tomar sol nos horários recomendados.


Diminuição da ingestão de Ferro
A anemia é um problema presente em alguns idosos, uma vez que a capacidade de hematopoiese (a formação dos eritrócitos, leucócitos e plaquetas do sangue) está reduzida pela diminuição da superfície da medula óssea, geralmente localizada apenas nas extremidades dos ossos longos.
O consumo de alimentos ricos em ferro é recomendado.

Priorizar o consumo de alimentos fontes de vitaminas e sais minerais
Nos idosos, a carência de vitamina C é comum e, com  frequência, leva a gripes e resfriados ou a processos infecciosos. Procure oferecer alimentos ricos em vitamina C juntamente com alimentos fonte de Ferro, pois um auxilia na absorção do outro.

Incluir nas refeições vitaminas do complexo B que auxiliam na produção de energia, juntamente com os carboidratos, vitaminas A, C e E que tem função antioxidante e vitamina K que age no processo de coagulação sanguínea pera evitar hemorragias. Todos os minerais devem estar presentes na dieta.




Socialização
Apesar de o envelhecimento produzir mudanças no corpo e, consequentemente, na imagem corporal e na auto-estima, os indivíduos da melhor idade que superam essa crise estarão aptos a assumir sua identidade na sociedade, sentindo-se seguros, valorizados e queridos.
A aceitação social pode trazer mais vigor e criar um novo estilo de vida, tornando o idoso aberto a novas experiências, interesses específicos, relacionamentos qualitativos e mais disposto a participar da vida num conjunto de ganhos.
O envelhecimento será saudável se as condições físicas e sociais forem satisfatórias. Trata-se de um delicado equilíbrio entre limitações e potencialidades.
Quanto à família e à sociedade espera-se que entendam a eventual dependência do idoso, as modificações físicas que surgem, propiciando relações afetivas necessárias para sua segurança e considerando as oscilações entre dependência e autonomia.
A sociedade deve participar e precisa estar junto para que esse grupo possa prosseguir em sua caminhada e transmitir seus saberes e sua cultura acumulada. Essas experiências de vida ninguém pode tirar!


DEZ PASSOS DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA PESSOAS IDOSAS

1.    Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições!

2.    Inclua diariamente 6 porções do grupo dos cereais (arroz, milho e trigo, pães e massas), tubérculos (batata) e raízes (mandioca) nas refeições. Esses alimentos são fontes de carboidratos. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na forma mais natural.

3.    Coma diariamente pelo menos 3 porções de legumes e verduras como parte das refeições e 3 porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches.
   

4.    Coma feijão com arroz todos os dias, ou pelo menos 5 vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e faz bem para a saúde.

5.    Consuma diariamente 3 porções de leite e derivados e 1 porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis.

6.    Consuma no máximo 1 porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina.

7.    Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos com recheio e/ou cobertura, biscoitos recheados e outras guloseimas. Coma-os no máximo 2 vezes por semana.

8.    Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa.

9.    Beba pelo menos 2 litros de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições.

10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física moderada todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo.


Até a próxima pessoal!!
Beijo!!
   

O que faz mais sucesso no blog...